Ucrânia ataca São Petersburgo com drones e nega que Rússia tenha tomado cidade estratégica
Dezenas de drones ucranianos atacaram São Petersburgo, na Rússia, informaram as autoridades neste sábado (4), afirmando que um terminal petrolífero foi atingido e que um dos dispositivos caiu em um complexo histórico de Peterhof, sem causar danos.
O ataque contra São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia e local de nascimento do presidente Vladimir Putin, ocorreu em meio a versões contraditórias de Moscou e Kiev sobre o controle de Kostyantynivka, uma localidade estratégica no leste da Ucrânia.
A Rússia prometeu retaliar e afirmou ter interceptado, durante a noite, cerca de 500 drones ucranianos e dez mísseis Flamingo.
A ofensiva ucraniana ocorreu após um ataque russo contra Kiev que deixou 30 mortos nesta semana.
O incidente também aconteceu poucas horas depois de um ataque da Rússia contra a cidade ucraniana de Sumi (norte), que deixou quatro mortos, entre eles uma criança, segundo as autoridades da Ucrânia.
- Ataque em São Petersburgo -
Em resposta à campanha militar de Moscou, Kiev intensificou nos últimos meses suas operações em território russo, atingindo em particular o setor petrolífero.
Neste sábado, a Rússia abateu mais de 70 drones ucranianos em São Petersburgo, segundo o governador da cidade. Um terminal petrolífero foi atingido e um drone caiu no complexo histórico de Peterhof, que inclui um suntuoso palácio e jardins, sem deixar vítimas ou danos.
"O ataque atingiu a área de um terminal petrolífero no distrito de Kirovsky", em São Petersburgo. "As consequências técnicas foram resolvidas e não houve vítimas", detalhou o governador Alexander Beglov.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que nesta série de ataques também foi atingida a base naval russa de Kronstadt, em São Petersburgo.
"As forças de defesa da Ucrânia atacaram infraestruturas petrolíferas portuárias que geram receitas para a guerra travada pela Rússia, e também houve ataques bem-sucedidos contra Kronstadt, um importante alvo militar", declarou.
- "Mentira" -
No terreno, a linha de frente permaneceu praticamente inalterada em junho na Ucrânia, prolongando a perda de impulso das tropas russas nos últimos meses, segundo análise da AFP com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
O exército ucraniano negou neste sábado que os russos tenham tomado Kostyantynivka, como Moscou havia afirmado na sexta-feira, e declarou à AFP que seus soldados continuam defendendo a cidade.
"Os defensores ucranianos mantêm suas posições. A situação é difícil, mas está sob controle das forças ucranianas", disse o porta-voz do exército, Andrii Kovaliov, detalhando que os russos se infiltraram em pequenos grupos na cidade e que realizaram "11 tentativas de assalto" na sexta-feira, porém, "sem sucesso".
Kostyantynivka é um dos últimos redutos no caminho em direção às grandes cidades de Kramatorsk e Sloviansk, sob controle ucraniano. Sua tomada é um objetivo primordial na campanha russa no Donbass, uma região do leste ucraniano majoritariamente ocupada por Moscou.
Na sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, havia afirmado que as tropas russas tinham "totalmente sob controle" esta localidade.
O presidente Vladimir Putin chegou a aparecer de uniforme militar diante de seu Estado‑Maior, agradecendo aos soldados e indicando que a tomada da cidade tem uma "importância estratégica maior".
"Outra mentira russa", respondeu neste sábado seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, em uma mensagem nas redes sociais.
A batalha por Kostyantynivka, que tinha cerca de 78.000 habitantes antes da guerra, é travada desde o fim de 2025, quando os soldados russos começaram a se infiltrar na cidade.
As negociações mediadas pelos Estados Unidos para pôr fim ao pior conflito na Europa desde 1945, que já dura mais de quatro anos, foram relegadas a um segundo plano pela guerra no Oriente Médio.
V.Simon--BVZ