Fachin pede para preservar STF em meio à crise
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fachin, pediu, nesta quarta-feira (2), para "preservar a integridade" da instituição, que está mergulhada em uma grave crise após revelações sobre os vínculos do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraude.
"Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição", afirmou o ministro Luiz Fachin em um comunicado.
A crise eclodiu na terça-feira, quando foi divulgado um relatório da Polícia Federal contendo uma série de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes, aparentemente com o objetivo de interromper a investigação que levou à sua prisão em novembro.
"A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades", acrescentou Fachin, sem mencionar Moraes ou André Mendonça, o ministro do STF que revelou as informações, ambos no centro do escândalo.
Moraes presidiu o julgamento por tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a mais de 27 anos de prisão.
Fachin afirmou que anunciará "as medidas cabíveis" nos próximos dias, após analisar todos os elementos do caso.
As revelações chegam poucas semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro, que colocarão frente à frente o presidente em exercício Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na terça-feira, Mendonça solicitou que Fachin examinasse o conteúdo da investigação policial em sessão plenária, "de forma pública e transparente".
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusou Mendonça de abuso de autoridade ao interrogar um colega ministro e solicitou a "nulidade" do relatório policial.
O documento não inclui as respostas de Moraes a Vorcaro.
Nesta quarta-feira, Mendonça admitiu ter se reunido com o banqueiro uma vez, em março de 2025, a pedido do empresário.
Segundo um comunicado de seu gabinete, a reunião dizia respeito a uma disputa judicial relacionada ao banco, que estava sob análise do tribunal na época, e ressaltou que sua decisão naquele caso foi contrária aos interesses do Banco Master.
W.Sommer--BVZ