Berliner Volks-Zeitung - Risco de corrida armamentista nuclear marca reunião da ONU sobre proliferação

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Risco de corrida armamentista nuclear marca reunião da ONU sobre proliferação
Risco de corrida armamentista nuclear marca reunião da ONU sobre proliferação / foto: ANGELA WEISS - AFP

Risco de corrida armamentista nuclear marca reunião da ONU sobre proliferação

Os fatores que impulsionam a propagação das armas nucleares estão "se acelerando", alertou, nesta segunda-feira (27), o secretário-geral da ONU, António Guterres, em um momento em que as fricções no mundo geram temores de uma nova corrida pela bomba atômica.

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Os países signatários do Tratado sobre Não Proliferação das Armas Nucleares (TNP) se reúnem desde esta segunda-feira para examinar o acordo histórico, em vigor desde 1970.

"Durante tempo demais, o Tratado vem se deteriorando. Os compromissos seguem sem ser cumpridos. A confiança e a credibilidade estão se fragilizando. Os fatores que impulsionam a proliferação estão se acelerando. Precisamos insuflar nova vida ao Tratado mais uma vez", urgiu Guterres ao abrir o evento.

O TNP, assinado por quase todos os países do planeta, exceto Israel, Índia e Paquistão, busca impedir a propagação das armas nucleares, promover um desarmamento completo e fomentar a cooperação para o uso pacífico da energia nuclear.

Na última revisão do acordo, em 2022, Guterres já tinha alertado que a humanidade estava "a um mal-entendido, a um erro de cálculo da aniquilação nuclear".

A situação geopolítica mundial está longe de ter se acalmado desde então e o resultado das quatro semanas de reuniões na sede das Nações Unidas em Nova York é incerto.

O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, disse aos signatários que "a ameaça que os programas do Irã e da Coreia do Norte representam é intolerável para todos e cada um dos Estados parte neste tratado".

A fim de moderar as expectativas, o embaixador do Vietnã na ONU e presidente da conferência, Do Hung Viet, afirmou: "Não devemos esperar que esta conferência resolva as tensões estratégicas subjacentes da nossa época".

"Mas um resultado equilibrado que reafirme os compromissos fundamentais e defina medidas concretas para avançar reforçaria a integridade do TNP", ressaltou.

"O sucesso ou o fracasso desta conferência terá implicações que vão muito além destas salas", acrescentou Viet. "As perspectivas de uma nova corrida de armamento nuclear pairam sobre nós".

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), os nove Estados dotados de armas nucleares (Rússia, Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte) possuíam 12.241 ogivas nucleares em janeiro de 2025, das quais 90% estavam nas mãos de americanos e russos.

E "começamos a ver um aumento quantitativo das capacidades nucleares em todos os Estados nucleares", segundo Izumi Nakamitsu, alta representante da ONU para o desarmamento.

Na sexta-feira, os países do G7 se declararam "preocupados" com o "importante reforço e a modernização dos arsenais nucleares da China e da Rússia".

- "Ultraje" -

Visto que as decisões durante as conferências de exame do tratado são adotadas por consenso, as últimas duas fracassaram no momento de aprovar uma declaração política final.

Em 2015, o bloqueio se deveu em grande medida à oposição de Washington, um aliado próximo de Israel, à criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. Em 2022, não houve acordo pela recusa de Moscou a qualquer referência sobre a usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia.

A cúpula deste ano poderia encontrar diversos obstáculos.

Os Estados Unidos e seus aliados Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Austrália criticaram a nomeação do Irã como vice-presidente da conferência.

O enviado americano à reunião disse que conferir a Teerã um papel de liderança constituía um "ultraje" para os países que levam o TNP "a sério".

A inteligência artificial (IA) também poderia ser um tema de destaque até 22 de maio, pois alguns países pedem que todas as partes mantenham o controle humano sobre as armas nucleares.

O.Krause--BVZ