McDonald's, Irã e papa: a coletiva de imprensa incomum de Trump
A Casa Branca viveu um dia incomum nesta segunda-feira (13) quando, após receber um pedido do McDonald's no Salão Oval, o presidente americano, Donald Trump, deu uma coletiva de imprensa na qual misturou a guerra no Irã a críticas ao papa Leão XIV e uma polêmica imagem gerada por IA, na qual apareceu retratado como Jesus.
O presidente americano, um grande apreciador da comida rápida, saiu ao jardim da Casa Branca para receber um pedido de sanduíches das mãos de uma funcionária da plataforma de entregas DoorDash.
"Tenho um pedido para o senhor, presidente", disse Sharon Simmons, a entregadora, ao lhe dar as sacolas de papel.
"Isto não parece montado, não é?", perguntou Trump aos jornalistas, após receber a entrega de Simmons, a quem a plataforma descreveu como uma avó de dez netos do Arkansas.
O evento foi pensado para chamar atenção para a política do bilionário republicano de isenção de impostos sobre as gorjetas (conhecida como "no tax on tips") que, segundo ele, tinha resultado em uma restituição de 11.000 dólares (R$ 55.000, na cotação atual) para Simmons este ano.
Mas, como costuma acontecer com o presidente, a conversa rapidamente levou a temas muito mais sensíveis.
Um jornalista perguntou, "Sr. presidente, o senhor postou aquela foto em que aparece representado como Jesus Cristo?"
Na noite de domingo, Trump foi alvo de críticas depois da publicação, em sua conta na plataforma Truth Social, desta imagem gerada por IA, já apagada, logo após fazer críticas ao papa Leão XIV por sua postura sobre o Irã.
"Sim, eu a publiquei e pensei que era eu como médico e que tinha a ver com a Cruz Vermelha", disse Trump. "E eu sempre faço as pessoas melhorarem. Eu as faço melhorarem muito", acrescentou.
As perguntas, então, se voltaram para a guerra contra o Irã.
O bloqueio dos portos iranianos, ordenado por Trump, entrou em vigor pouco mais de duras horas antes da coletiva, após o fracasso dos diálogos entre Estados Unidos e Irã no Paquistão durante o fim de semana.
Trump disse que o Irã quer "muito intensamente" chegar a um acordo que, segundo ele, deve buscar impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear.
- Gorjetas -
Com a entregadora ainda desconcertada ao seu lado, Trump deixou claro, ainda, que não pensava em se desculpar com o líder da Igreja católica, nascido nos Estados Unidos.
"Não há nada pelo que pedir desculpas. Ele está errado", disse um dia depois de atacar o papa Leão XIV por se opor à guerra no Oriente Médio.
"O papa Leão disse coisas que estão erradas. Ele foi muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não se pode ter um Irã (com uma arma) nuclear", afirmou Trump.
Em seguida, o presidente americano abordou um de seus temas favoritos: a proibição de pessoas transgênero em competições esportivas femininas, e questionou Simmons a respeito.
"Realmente, não tenho opinião sobre isso", respondeu a entregadora. "Estou aqui para falar da isenção dos impostos sobre as gorjetas".
Os jornalistas perguntaram, então, se o pessoal da Casa Branca, deixava boas gorjetas. Ela deu de ombros.
"Espere", disse Trump, antes de colocar a mão no bolso da calça, tirar o que parecia ser uma nota dobrada de 100 dólares (R$ 502) e entregá-la a Simmons.
"Obrigada", disse o presidente sorrindo para o jornalista. "Você me fez lembrar!"
M.Voigt--BVZ