Trump apresenta seu Conselho da Paz com contribuição de US$ 10 bilhões dos EUA
O presidente americano, Donald Trump, realizou nesta quinta-feira (19) a primeira reunião de seu "Conselho da Paz", uma nova instituição a princípio focada em Gaza, com um investimento inicial de 10 bilhões de dólares dos Estados Unidos (cerca de 52,3 bilhões de reais, na cotação atual).
A cerimônia contou com autoelogios de Trump, que destacou suas iniciativas de paz em oito conflitos internacionais, mas também fez ameaças ao Irã, que continua resistindo às exigências de Washington para que cesse suas ambições nucleares e militares.
Cerca de vinte chefes de Estado, incluindo Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai, viajaram a Washington para o lançamento de uma aliança que pode rivalizar com as Nações Unidas.
Para dar o impulso inicial, Trump anunciou a contribuição de 10 bilhões de dólares, complementada por outros bilhões de dólares de países do Golfo, assim como do Japão e de outras nações presentes, para iniciar os trabalhos de reconstrução na devastada Faixa de Gaza.
"Obrigado, presidente Trump, pela sua liderança e pelos seus esforços contínuos. Bem-aventurados os que trabalham pela paz", declarou o palestino Ali Shaath, chefe da administração provisória de Gaza.
A administração provisória começará recrutando uma força policial, composta por pessoal do Egito e da Jordânia. Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia contribuirão com tropas militares.
- Ausência de europeus -
"Paz é uma palavra fácil de dizer, mas difícil de alcançar", explicou Trump na cerimônia realizada no Instituto da Paz de Washington, que foi renomeado em sua homenagem.
O evento não contou com a presença de líderes da Europa Ocidental, mas o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, um aliado fiel de Trump, compareceu.
O presidente americano também advertiu o Irã para que atenda às suas exigências e assine um acordo em breve.
Trump, que simultaneamente lidera negociações delicadas, como as entre Ucrânia e Rússia, também se mostrou disposto a usar a força, como demonstrado pela captura do presidente deposto Nicolás Maduro na Venezuela.
"Em dez dias", advertiu ele, "saberemos se um acordo com o Irã é possível".
- Quais os avanços em Gaza? -
O "Conselho da Paz" foi formado depois que o governo Trump, em colaboração com Catar e Egito, negociou, em outubro, um cessar-fogo para pôr fim a dois anos da guerra devastadora em Gaza.
Washington afirma que o plano entrou agora em sua segunda fase, centrada no desarmamento do Hamas, o grupo armado palestino cujo ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel desencadeou uma ofensiva em grande escala.
Autoridades americanas, assim como Steve Witkoff, amigo de Trump e seu principal negociador para Oriente Médio, Irã e Ucrânia, insistem que estão sendo feitos progressos concretos e que o Hamas está sendo pressionado a entregar as armas.
Israel impôs restrições que considera imprescindíveis para sua segurança. "A arma que causa mais dano chama-se AK-47", declarou recentemente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
"É a arma principal e tem que desaparecer", disse Netanyahu, que está representado por seu ministro das Relações Exteriores.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse à AFP que o Conselho da Paz deveria forçar Israel a "pôr fim às suas violações (do cessar-fogo) em Gaza" e a suspender o bloqueio ao território.
- Veto de Trump -
Segundo os termos estabelecidos pela Casa Branca, Trump terá poder de veto sobre o "Conselho da Paz" e poderá continuar em sua liderança mesmo após deixar o cargo.
Para obter a condição de membro permanente, os países devem desembolsar 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões).
Funcionários americanos afirmam que a reunião desta quinta-feira está centrada em Gaza, mas admitem que a instituição poderá tratar de outros focos de tensão no mundo.
Trump critica repetidamente a ONU há anos e reduziu as contribuições americanas, fundamentais para o funcionamento da organização.
A ONU "tem muito potencial", mas não está à altura, explicou Trump.
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D.Hahn--BVZ