Berliner Volks-Zeitung - União Europeia ante o desafio do envelhecimento de sua população

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União Europeia ante o desafio do envelhecimento de sua população
União Europeia ante o desafio do envelhecimento de sua população / foto: Attila Kisbenedek - AFP/Arquivos

União Europeia ante o desafio do envelhecimento de sua população

A população da União Europeia está prestes a alcançar seu máximo histórico e começará a diminuir nas próximas décadas, afirma um informe publicado nesta terça-feira (14), que põe em destaque os desafios trazidos pelo envelhecimento populacional.

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Atualmente, a UE tem uma população de 450,6 milhões de habitantes, e seguirá aumentando levemente até 2029, quando alcançará 453,3 milhões, antes de iniciar um declínio lento, mas sustentado, informou o Centro Comum de Investigação (JCR, na sigla em inglês), subordinado à Comissão Europeia.

Até 2050, a Europa contará com 445 milhões de habitantes, e até 2100 este número diminuirá para 398,8 milhões, um nível populacional comparável ao da segunda metade da década de 1970.

Enquanto isso, os europeus vivem mais tempo que nunca.

A expectativa de vida alcançou 81,5 anos em 2024, graças aos avanços da medicina e à melhora das condições de vida. Até 2050, quase um em cada três habitantes da UE terá 65 anos ou mais, frente a um em cada cinco atualmente.

Com vistas a 2100, a expectativa de vida poderia superar os 90 anos para as mulheres e 86 anos para os homens.

Estas mudanças representam "importantes desafios", como a escassez de mão de obra, uma pressão maior sobre as finanças públicas, tensões nos sistemas de saúde, educação e formação, assim como sobre a coesão territorial, admite a UE.

No entanto, também criam novas oportunidades de mercado em torno da chamada economia prateada ('silver economy'), centrada em produtos e serviços destinados às pessoas idosas, inclusive inovações nos campos da saúde e da tecnologia.

- Imigração, uma "necessidade" -

O relatório destaca que a imigração "desempenha um papel cada vez mais importante na evolução da população, ao compensar parcialmente os efeitos negativos do envelhecimento demográfico e da redução da população ativa", mas por si só não pode modificar de forma significativa a trajetória demográfica da UE.

"A migração é uma necessidade", declarou à imprensa a comissária da UE para o Mediterrâneo, Dubravka Suica.

Na Europa, as mulheres têm cada vez menos filhos, uma tendência que se arrasta desde os anos 1960.

A taxa de fecundidade caiu para 1,34 filho por mulher em 2024, muito abaixo do nível de reposição de 2,1, necessário para manter a população estável sem a migração.

A idade média da população europeia era de 44,9 anos em 2025, mas há grandes diferenças entre os países do bloco.

Enquanto a Irlanda é relativamente jovem, com uma idade média de 39,6 anos, na Itália é de 49,1 anos.

"Estamos vivendo vidas mais longas e saudáveis que nunca, um de nossos maiores feitos. Mas a mudança demográfica está remodelando nossas sociedades, nossas economias e nossos mercados de trabalho", explicou Suica em um comunicado.

"Devemos agir agora para fazer desta transformação uma oportunidade", acrescentou.

A UE insiste que melhorar a produtividade e reduzir o desemprego serão fatores essenciais para compensar os efeitos da diminuição da população economicamente ativa.

Atualmente, cerca de 20% das pessoas com idade para trabalhar está fora do mercado de trabalho. A brecha do emprego entre mulheres e homens segue sendo de 10 pontos percentuais, enquanto oito milhões de jovens não estudam, não trabalham, nem recebem formação.

Uma situação que é própria da Europa, pois a população mundial não está diminuindo.

Segundo o informe, o crescimento demográfico se concentra cada vez mais em algumas regiões da África subsaariana, no sul da Ásia e em alguns países do Oriente Médio.

N.Schuster--BVZ