Berliner Volks-Zeitung - Nepal e China lutam para encontrar quase 3.000 desaparecidos após tragédia

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Nepal e China lutam para encontrar quase 3.000 desaparecidos após tragédia
Nepal e China lutam para encontrar quase 3.000 desaparecidos após tragédia / foto: MANAN VATSYAYANA - AFP

Nepal e China lutam para encontrar quase 3.000 desaparecidos após tragédia

As equipes de resgate no Nepal e na China continuam com seus esforços, neste sábado (29), para localizar milhares de pessoas após o deslizamento de terra mortal que atingiu uma região fronteiriça do Himalaia esta semana, soterrando bairros inteiros.

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O número de desaparecidos subiu para quase 3.000, segundo dados oficiais de ambos os países, enquanto 633 corpos foram recuperados. Os relatórios também indicam que alguns podem ter sido levados pela correnteza para locais tão distantes quanto a Índia.

As equipes de resgate trabalham em condições extremamente difíceis devido à espessa camada de lama que cobre as áreas afetadas.

Kawan Koirala, membro da Equipe de Resposta a Desastres do Nepal, explicou que os esforços de busca avançam com dificuldade.

"As pessoas querem recuperar os corpos de seus parentes, vivos ou mortos, mas não conseguimos encontrá-los (...) elas só veem a lama", disse à AFP, visivelmente exausto após uma jornada de trabalho de 18 horas.

"É muito traumático para mim também. É a primeira vez que vejo algo assim. Tem lama por toda parte. Já tivemos enchentes no Nepal antes, mas não como esta", acrescentou.

Na quarta-feira, uma enorme avalanche de lama, atribuída ao colapso de uma geleira, soterrou casas, destruiu pontes e arrastou veículos tanto no Nepal quanto na região autônoma chinesa do Tibete.

Embora a causa exata do colapso ainda não esteja clara, as mudanças climáticas provocam o derretimento de geleiras em todo o mundo, aumentando o risco de desastres como esse.

- Busca desesperada de familiares -

Em uma região onde há grandes projetos de infraestrutura energética, a autoridade de gestão de desastres do Nepal adicionou 933 trabalhadores à sua lista de desaparecidos.

Essa lista já incluía dezenas de excursionistas e peregrinos que se dirigiam ao sagrado monte Kailash, no Tibete.

Aqueles que conseguiram escapar com vida dizem ter perdido tudo e agora enfrentam uma espera angustiante para saber o destino de seus entes queridos desaparecidos, além da perspectiva de reconstruir suas vidas do zero.

"Todos os assentamentos perto do rio foram destruídos. Não sobrou nada", disse o sobrevivente Buddhi Ram Dangol à AFP.

Em uma base militar em Bidur, que está sendo usada como centro de operações de resgate, parentes se aglomeravam em torno de listas de sobreviventes coladas em uma parede.

"Vim aqui procurar meu filho", disse Kalka Sharda. "Ele trabalhava na usina hidrelétrica, mas não consigo encontrar o nome dele, e as autoridades não dizem nada."

Uma das principais operações de resgate está concentrada em uma usina hidrelétrica, onde cerca de 100 pessoas permanecem presas em um túnel desde o desastre.

O gabinete do primeiro-ministro nepalês informou que as equipes de emergência começaram a "remover lama e escombros" para desobstruir a entrada do túnel e facilitar o acesso dos sobreviventes.

Além disso, uma unidade indiana especializada em resgates em túneis chegou à região para auxiliar nas operações.

- Trauma "enorme" -

A busca pelos desaparecidos foi agravada pelo temor de novas inundações nas áreas afetadas, devido à formação de grandes represas de água.

Além disso, em algumas áreas afetadas, a devastação generalizada causa a escassez de alimentos e água potável.

O número provisório de mortos pelo desastre chegou a 633, dos quais 626 foram registrados somente no Nepal.

Há também 2.426 pessoas, incluindo centenas de estrangeiros, com as quais o contato foi perdido no território nepalês.

No Tibete, região de difícil acesso para jornalistas estrangeiros, a mídia estatal informou, neste sábado, que o número de mortos é de sete e o de desaparecidos, 554.

As autoridades também indicaram que resgataram 555 turistas e 499 residentes chineses que estavam isolados naquela região autônoma.

Na Índia, o governo informou ter recuperado sete corpos de rios que descem do Nepal, provavelmente vítimas dos deslizamentos de terra.

O trauma causado pela catástrofe é "enorme", com cerca de 93.000 pessoas potencialmente afetadas, disse a Cruz Vermelha, acrescentando que o número de mortos deve continuar aumentando.

- "Vários bilhões de dólares" -

Entre os desaparecidos na fronteira estão dezenas de devotos hindus de todo o mundo, muitos dos quais estavam em peregrinação ao monte Kailash, no Tibete.

Sivaranjani Muthunathan viajava de ônibus com outras 56 pessoas em direção à fronteira com a China quando ficaram presos no que pensavam ser um engarrafamento.

"De repente, havia neblina, fumaça, algo que pareceu nos engolir", disse Muthunathan, de 46 anos, à AFP na sexta-feira.

Ela mostrou um vídeo que gravou em seu celular, retratando uma torrente correndo em sua direção.

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, estimou que a reconstrução das regiões devastadas e da infraestrutura custará "vários bilhões de dólares".

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O.Berger--BVZ