Incêndio em bar deixa 28 mortos em Bangcoc
Um incêndio em um bar deixou 28 mortos e dezenas de feridos na noite de domingo (12) em Bangcoc, na pior catástrofe do tipo na Tailândia em várias décadas.
"O fogo se propagou muito rapidamente e atingiu o teto. Provavelmente, a principal causa das mortes foi a fumaça", explicou aos jornalistas o prefeito da cidade, Chadchart Sittipunt.
Um vídeo, que teve a autenticidade verificada pela AFP, mostra as pessoas fugindo aos gritos do estabelecimento, o bar e restaurante Rong Beer Na Lat Phrao, algumas com as roupas em chamas.
O balanço atualizado pelas autoridades inclui 28 mortos e mais de 70 feridos, vários deles hospitalizados, incluindo alguns em estado crítico.
As autoridades afirmaram nesta segunda-feira (13) que identificaram 10 vítimas, nove tailandesas e uma procedente do Laos.
O chefe da polícia nacional, Kitrat Panphet, afirmou que os investigadores pretendem interrogar o proprietário do bar e restaurante, que está internado em estado grave na UTI.
"Muitas pessoas que morreram foram encontradas nos banheiros. Quando o incêndio foi declarado, o pânico tomou conta, não havia luz", declarou à imprensa.
A polícia está investigando se as saídas eram acessíveis, segundo Panphet. Ele disse que uma delas estava bloqueada por uma estante, o que impedia a passagem de mais de uma pessoa por vez.
Os investigadores também estão examinando o sistema elétrico do prédio, de 50 anos, e se alguma decoração pode ter alimentado o fogo.
"Ouvi gritos terríveis de muitas pessoas que estavam dentro, era um caos", declarou à AFP Kan Kutirat, um turista laosiano. Ele acrescentou que estava no bar no domingo por volta das 22h00 (12h00 de Brasília), quando percebeu a fumaça perto do palco.
"Estou deprimido. Vi muitos mortos e não sei o que aconteceu com as pessoas que ajudei", contou Surin Jaiharn, um mototaxista de 45 anos. Ele afirma que resgatou cinco pessoas.
- "Todo mundo corria" -
O primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul, que visitou o local, disse que os músicos que se apresentavam no bar observaram "fumaça saindo de um disjuntor perto do palco, seguida de uma queda de energia e explosão".
Os primeiros elementos da investigação sugerem que havia "pontos cegos", sem saída de emergência visível, afirmou o premiê.
"Não haverá qualquer indulgência caso as leis tenham sido violadas", advertiu, enquanto aguarda o relatório da investigação.
"Todo mundo corria, empurrando uns aos outros", lembra Athipat "Ice" Wijarn, cujo grupo se apresentava quando o incêndio foi declarado. O tecladista, Kwang, e a vocalista da banda, Breeze, morreram na tragédia.
Triyarith Temahivong, funcionário do Ministério da Justiça, prometeu 300.000 bahts (quase 9 mil dólares, 46 mil reais) às famílias das vítimas fatais e até 80.000 bahts (2,4 mil dólares, 12 mil reais) para cobrir as despesas médicas de cada ferido.
Segundo a polícia tailandesa, o incêndio estava "sob controle" por volta das 2h00 de segunda-feira (16h00 de Brasília, domingo).
No bar, o cenário era de destruição, com várias janelas quebradas.
Suriyachai Rawiwan, chefe do serviço de prevenção de catástrofes de Bangcoc, afirmou que as autoridades chegaram ao local cinco minutos após o alerta. "Mas o fogo já havia se propagado por toda a área, o que dificultou o acesso", disse.
"Quando entramos para a busca, encontramos mesas e cadeiras bloqueando o caminho por todos os lados, e o calor era intenso", declarou Rawiwan à AFP.
A lei tailandesa sobre segurança em bares e casas noturnas é objeto de preocupação há muitos anos. Em 2022, 25 pessoas morreram no incêndio de uma boate na província de Chonburi (leste). Em 2009, outra casa noturna sofreu um incêndio em Bangcoc durante o Ano Novo, uma tragédia que deixou 67 mortos e mais de 200 feridos.
B.L.Walter--BVZ