México e Washington trocam acusações após morte de dois agentes dos EUA
México e Estados Unidos trocaram duras declarações após a morte de dois agentes americanos em um acidente automobilístico. O governo mexicano denunciou que eles participaram, sem seu consentimento, de uma operação antidrogas, enquanto Washington pede "simpatia" por essas mortes.
Os dois agentes americanos morreram no domingo quando retornavam em um comboio de policiais locais de uma operação para desmantelar seis laboratórios de produção de drogas sintéticas no estado fronteiriço de Chihuahua (norte), segundo informou o promotor desse distrito, César Jáuregui.
O funcionário disse que se tratava de "dois oficiais instrutores da embaixada dos Estados Unidos".
Mas a presidente do México, Claudia Sheinbaum, expressou nesta semana seu desacordo com a presença desses agentes em operações de campo e afirmou que o governo mexicano não havia sido informado sobre sua participação na ação.
"Revisamos se houve comunicação ao Ministério das Relações Exteriores, à Defesa Nacional ou à Secretaria de Segurança, e não houve informação sobre a participação dessas pessoas", disse a mandatária.
A governante de esquerda tem rejeitado reiteradamente as ofertas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que agências de segurança e até militares de seu país participem de operações antidrogas em território mexicano.
Nesta quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, considerou que o México deveria demonstrar simpatia pela morte desses agentes.
"Um pouco de simpatia por parte de Claudia Sheinbaum seria bem-vinda após a perda dessas duas vidas americanas, levando em conta tudo o que os Estados Unidos estão fazendo atualmente para conter o narcotráfico no México", disse Leavitt em entrevista à Fox News.
Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump tem exercido forte pressão sobre o México, acompanhada de ameaças de impor tarifas, caso não contenha o tráfico de drogas e de migrantes rumo aos Estados Unidos.
- Nova versão -
Sheinbaum esclareceu nesta quarta-feira que a participação dos dois agentes americanos na operação contraria a lei de segurança nacional, reformada em 2020 por seu antecessor e mentor, o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, para limitar ainda mais a atuação de agentes estrangeiros no país.
O Congresso também aprovou em 2025 uma mudança legal impulsionada por Sheinbaum para endurecer as penas contra atividades de espionagem estrangeira.
Por sua vez, o promotor de Chihuahua deu na terça-feira uma nova versão a vários meios de comunicação.
Ele indicou que os americanos estavam "ministrando um curso sobre o uso de drones" em uma comunidade situada a cerca de seis horas de carro do local onde foi realizada a operação.
Segundo essa nova informação, os agentes americanos "pediram colaboração para se deslocar junto com a caravana" de um grupo de policiais estaduais que retornavam da operação antidrogas.
O carro em que viajavam os agentes americanos derrapou em uma estrada de difícil acesso e caiu em um barranco. Outros dois policiais de Chihuahua também morreram.
Militares mexicanos também atuaram na destruição dos laboratórios clandestinos, mas o Exército desconhecia que havia agentes estrangeiros na operação, explicou Sheinbaum.
Relatos da imprensa dos Estados Unidos identificaram os agentes como pertencentes à CIA, informação que Sheinbaum não confirmou.
A presidente acrescentou que dialogará com a governadora de Chihuahua, a opositora María Eugenia Campos.
Esse estado, na fronteira com os Estados Unidos, é um dos quatro governados pelo opositor Partido Ação Nacional (PAN), de tendência conservadora.
L.Bergmann--BVZ