Berliner Volks-Zeitung - Hillary afirma após depor que Bill Clinton desconhecia crimes de Epstein

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Hillary afirma após depor que Bill Clinton desconhecia crimes de Epstein
Hillary afirma após depor que Bill Clinton desconhecia crimes de Epstein / foto: Charly Triballeau - AFP

Hillary afirma após depor que Bill Clinton desconhecia crimes de Epstein

A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton disse nesta quinta-feira (26) que estava segura de que o ex-presidente Bill Clinton, seu marido, não sabia nada sobre os crimes do financista Jeffrey Epstein, e exigiu que o atual presidente, Donald Trump, deponha sob juramento.

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Bill Clinton vai se apresentar nesta sexta-feira, um dia após sua mulher, perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, controlado por republicanos.

Após horas de perguntas dos congressistas, que Hillary Clinton descreveu como "repetitivas", ela conversou com jornalistas sobre sua confiança no marido e disse estar segura de que o ex-presidente não sabia nada sobre os crimes de Epstein.

Hillary, 78, afirmou que não conhecia o financista pessoalmente, e que apenas conheceu circunstancialmente a companheira e cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, única pessoa condenada no escândalo internacional.

A audiência foi realizada a portas fechadas, o que frustrou a ex-primeira-dama e os democratas.

Epstein morreu em uma cela de prisão em Nova York, em 2019, enquanto aguardava julgamento.

Tanto os republicanos quanto os democratas obrigaram o casal Clinton a depor, sob ameaça de desacato. "Se essa comissão quisesse conhecer seriamente a verdade, pediria diretamente ao nosso atual presidente que depusesse sob juramento sobre as dezenas de milhares de ocasiões nas quais aparece no expediente", havia publicado a democrata no X.

- Aviões e piscinas -

A audiência foi suspensa brevemente após o vazamento de uma foto de Hillary na sala, publicada no X pelo comentarista conservador Benny Johnson. A imagem teria sido repassada a ele por Lauren Boebert, uma congressista republicana, o que causou uma situação "muito incômoda", descreveu Hillary.

"A declaração está sendo gravada em vídeo e será divulgada na íntegra. Hillary queria uma transmissão AO VIVO, pela TV", ressaltou o comentarista, em seu perfil no X. A democrata disse esperar que a gravação seja divulgada "o quanto antes".

Ao longo dos anos, vieram à tona fotos e documentos que mostram Bill Clinton no avião particular de Epstein ou em festas oferecidas pelo financista. O ex-presidente admitiu que viajou no avião de Epstein diversas vezes no começo dos anos 2000, para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein no Caribe.

Bill Clinton e Donald Trump, ambos de 79 anos, aparecem com destaque no último lote de documentos do governo divulgados sobre o caso Epstein, mas cada um afirmou ter rompido relações com o financista antes de sua condenação por crimes sexuais na Flórida, em 2008. A mera menção nos arquivos não constitui prova de que um crime foi cometido.

- A portas fechadas -

A sócia de Epstein, Ghislaine Maxwell, 64, está detida em uma prisão de segurança máxima. Ela compareceu ao casamento da filha de Hillary e Bill Clinton, como acompanhante de outro convidado, revelou a democrata.

Fotos divulgadas recentemente, que mostram Bill Clinton em lugares como uma piscina, rodeado de jovens, causaram mais polêmica.

Ghislaine se apresentou neste mês por videoconferência perante o Comitê de Supervisão da Câmara, mas se negou a responder perguntas, invocando seu direito de não se autoincriminar.

Seu advogado, David Markus, afirmou que Maxwell estaria disposta a falar publicamente se Trump lhe concedesse um indulto.

Markus também afirmou que Trump e Bill Clinton são "inocentes de qualquer irregularidade".

"Só a senhora Maxwell pode explicar o porquê e o público tem direito a essa explicação", disse ele.

Epstein cultivou uma rede de poderosos executivos, políticos, celebridades e acadêmicos, e a divulgação dos arquivos teve repercussões em todo o mundo, incluindo as prisões no Reino Unido do ex-príncipe Andrew e de Peter Mandelson, ex-embaixador nos Estados Unidos.

Diversos americanos proeminentes tiveram suas reputações prejudicadas por suas amizades com Epstein e renunciaram a seus cargos, mas ninguém além de Maxwell enfrentou consequências legais.

M.Voigt--BVZ