Nova definição universal reorganiza os tipos de infarto por causa clínica
A Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio substitui a classificação predominantemente numérica por três grupos: primário, secundário e relacionado a procedimentos.
A Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio foi apresentada em 28 de agosto no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2026, em Munique. O documento reorganiza os eventos em três categorias definidas pela causa clínica: infarto primário, secundário e relacionado a procedimentos.
A classificação foi desenvolvida conjuntamente pela Sociedade Europeia de Cardiologia, Colégio Americano de Cardiologia, Associação Americana do Coração e Federação Mundial do Coração. O objetivo é uniformizar o diagnóstico, orientar o tratamento e facilitar a explicação aos pacientes. Os dados citados estimam prevalência de 3,8% entre pessoas com menos de 60 anos e de 9,5% entre as de mais de 60.
O infarto primário ocorre espontaneamente por um evento agudo numa artéria coronária. A ruptura de placa aterosclerótica é a causa mais comum, mas o grupo também inclui dissecção espontânea da artéria coronária, espasmo e formação de coágulo. A dissecção, ou SCAD, é uma lesão nas camadas da parede arterial que reduz o fluxo e afeta principalmente mulheres, sendo considerada subdiagnosticada.
O infarto secundário decorre de desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio no coração e pode acompanhar pressão arterial muito alta ou baixa e frequência cardíaca elevada. Nesses casos, o evento não precisa começar com uma lesão primária da coronária.
A terceira categoria reúne infartos ocorridos até 30 dias depois de procedimentos ou cirurgias cardíacas, incluindo colocação de stent e revascularização do miocárdio. O documento também define exames e investigações apropriados para cada grupo.
Pela primeira vez, a definição universal está alinhada à Classificação Internacional de Doenças. A Federação Mundial do Coração trabalhou com a Organização Mundial da Saúde para propor códigos da CID-11 compatíveis com os três grupos. A padronização pode melhorar registros, vigilância em saúde e pesquisas, além de ajudar médicos a relacionar a causa do evento à conduta clínica.
A.Kaufmann--BVZ