Regulador da UE reduz drasticamente limite de exposição a poluente TFA
A agência de segurança alimentar da União Europeia reduziu drasticamente, nesta quarta-feira (22), a dose diária permitida de TFA, um poluente muito persistente presente na água, citando seus efeitos sobre um hormônio que regula o metabolismo.
Esta decisão era esperada pela Comissão Europeia e pelos Estados-membros para atualizar os limites de concentração do ácido trifluoroacético (TFA) na água potável, onde a substância é detectada de forma generalizada.
O TFA é formado após a decomposição de substâncias como pesticidas e pode acabar nas águas subterrâneas, no solo e nas plantações.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) indicou que reduziu "a ingestão diária admissível (IDA) para 0,014 miligrama por quilograma de peso corporal ao dia, em comparação ao valor anterior de 0,05".
Esta é a quantidade de TFA que pode ser consumida diariamente ao longo da vida sem apresentar um risco significativo para a saúde.
A nova IDA é aproximadamente 3,5 vezes menor que a anterior, indicou o órgão regulador em um comunicado.
Novas evidências demonstraram que, "entre outros efeitos, o TFA altera os níveis de tiroxina, um hormônio produzido pela glândula tireoide que desempenha um papel importante na regulação do organismo", acrescentou.
Este poluente é o menor e mais persistente tipo de substâncias perfluoroalquílicas ou polifluoroalquílicas (PFAS), frequentemente chamadas de "químicos eternos" devido ao fato de demorarem muito tempo para se degradar.
Eles são utilizados na fabricação de praticamente tudo, desde utensílios de cozinha antiaderentes e roupas até a indústria em geral, e o TFA é um dos mais difundidos.
Os países da UE são obrigados a monitorar os níveis de PFAS na água potável, enquanto outros programas de monitoramento controlam sua concentração nos alimentos.
A revisão do limite foi fundamentada pela análise de estudos toxicológicos de países europeus, na Agência Europeia de Substâncias Químicas (Echa) e de um amplo conjunto de evidências de 170 estudos e documentos.
Pesquisadores afirmaram que é pouco provável que o TFA seja capaz de danificar o DNA celular. No entanto, indicam várias áreas que exigem mais pesquisa, incluindo a possibilidade de que cause câncer e altere o sistema imunológico.
H.Meyer--BVZ