Venezuelano baleado pelo ICE permanece detido por acusações criminais nos EUA
Um venezuelano ferido por um agente de imigração no Texas passou nesta quarta-feira (30) para custódia criminal federal, informou sua equipe jurídica, que também alertou para os riscos à saúde do cliente, que ainda tem uma bala alojada no corpo.
Wilber Garcés, de 28 anos, foi baleado nas costas durante uma operação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) em Austin, enquanto trabalhava como entregador em seu veículo. Na terça-feira, a Promotoria já havia apresentado acusações criminais contra ele por agressão, resistência, obstrução e impedimento à atuação de um agente federal, crimes puníveis com até 20 anos de prisão.
O caso se soma a outros incidentes recentes registrados durante operações anti-imigração promovidas pelo presidente republicano Donald Trump, criticadas por parlamentares democratas e organizações humanitárias pelo uso da força.
"Agora ele está sob custódia criminal federal, em vez de estar sob custódia da imigração", explicou nesta quarta sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, após uma audiência em Austin. A pedido do promotor, um juiz negou sua libertação sob fiança.
Na acusação, destaca-se o depoimento do agente identificado pelas iniciais L.G., que afirmou que Garcés tentou atropelá-lo com o veículo e que, por isso, atirou. O acusado afirma que havia pedido aos agentes que permitissem que ele estacionasse o carro em um local seguro antes de se entregar, mas que o pedido foi negado. Segundo sua versão, os agentes bateram em seu veículo e, em seguida, houve o disparo.
Garcés estava sob custódia do ICE desde 20 de setembro e agora será transferido para uma prisão. Uma equipe jurídica formada por Lincoln-Goldfinch e organizações da sociedade civil informou que continuará trabalhando em seu processo migratório, enquanto tramita paralelamente o processo criminal, que está a cargo de defensores públicos.
Garcés compareceu ao tribunal em uma cadeira de rodas. "Ele corre o risco de sofrer imobilidade permanente e sepse, e os profissionais de saúde recomendam uma cirurgia. Durante a audiência, ele se contorcia de dor, e é muito difícil para nós ver nosso cliente sofrer tanto", acrescentou Lincoln-Goldfinch.
"O governo continua brincando com a vida de nosso cliente (...) É responsabilidade do governo fornecer a cirurgia de que ele precisa para que possa se recuperar", declarou, por sua vez, Danny Woodward, do Projeto de Direitos Civis do Texas (TCRP). "Nosso objetivo continua claro: manter Wilber vivo, tirá-lo do centro de detenção e responsabilizar os agentes e as instituições que lhe causaram danos", afirmou.
M.Voigt--BVZ