Berliner Volks-Zeitung - Tensão social aumenta na França com greve de funcionários e protesto estudantil

Berlin -

NAS NOTíCIAS

Tensão social aumenta na França com greve de funcionários e protesto estudantil
Tensão social aumenta na França com greve de funcionários e protesto estudantil / foto: Sebastien Salom-Gomis - AFP

Tensão social aumenta na França com greve de funcionários e protesto estudantil

A França vive um dia de protestos nesta terça-feira (29), com greves de funcionários públicos e choques entre estudantes e policiais, a dois dias da apresentação do orçamento e a poucos meses das eleições presidenciais, nas quais a extrema direita desponta como favorita.

Tamanho do texto:

Cerca de 30.000 manifestantes saíram às ruas em Paris, segundo a prefeitura, em um dia em que estavam convocadas mais de 170 manifestações para exigir um reajuste dos salários dos funcionários públicos, corroídos pela inflação, e "recursos orçamentários à altura" da administração pública.

Segundo o sindicato CGT, mais de 300.000 pessoas se manifestaram em todo o país, entre elas 70.000 em Paris.

A pauta de denúncias dos funcionários públicos vai desde a perda do poder aquisitivo, passando por quadros de funcionários insuficientes, condições de trabalho deterioradas e, por vezes, precariedade diante de cortes orçamentários.

Movimentos de estudantes do ensino médio também protestam desde a semana passada, exigindo melhores condições gerais para o setor educacional.

Nesta terça-feira, protagonizavam um dia de confrontos violentos, com grupos de adolescentes que atearam fogo a contêineres de lixo e lançaram objetos contra a polícia, que respondeu com cassetetes e gás lacrimogêneo.

Os distúrbios deixaram 40 detidos e 10 feridos entre estudantes e funcionários públicos.

- Alta tensão social -

Mathilde Bourgain, uma professora de física de 47 anos em um colégio de ensino médio, chegou à manifestação em Paris com um coletivo de professores e pais de alunos.

"Estamos cansados, todos temos a impressão de que o ensino público é mais afetado do que o privado", explicou à AFP.

Na escola onde trabalha, como em muitas pelo país, foram retiradas turmas do primeiro ano do ensino médio e professores são obrigados a trabalhar em vários estabelecimentos.

"Não temos formação e nos pedem que sejamos às vezes psicólogos, às vezes assistentes sociais, às vezes mães", denuncia Nadia M’Dahoma, de 45 anos, mediadora de alunos com deficiência, que diz receber cerca de 1.000 euros (5.924 reais) por mês por 24 horas semanais.

Os estudantes mantinham bloqueios e protestos em centenas de escolas de ensino médio em todo o país. Segundo o Ministério da Educação, 338 estabelecimentos foram afetados por manifestações ou perturbações desde o início da manhã, com 40 bloqueados e outros 44 enfrentando tentativas de bloqueio.

Desde 2017, o índice salarial dos funcionários públicos teve um reajuste total ligeiramente superior a 5%.

Enquanto isso, a inflação acumulada desde 2017 terá atingido 24,17% no final de 2026, segundo o instituto oficial de estatística Insee.

I.Thomas--BVZ