Berliner Volks-Zeitung - Autoridade antiterrorista dos EUA renuncia em protesto contra a guerra no Irã

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Autoridade antiterrorista dos EUA renuncia em protesto contra a guerra no Irã
Autoridade antiterrorista dos EUA renuncia em protesto contra a guerra no Irã / foto: Saul Loeb - AFP/Arquivos

Autoridade antiterrorista dos EUA renuncia em protesto contra a guerra no Irã

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (NCTC), Joseph Kent, renunciou nesta terça-feira (17) em protesto contra a guerra contra o Irã, que ele acredita ter sido iniciada por pressão israelense e por uma "campanha de desinformação".

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Joseph Kent, ex-membro das forças especiais, é a primeira autoridade de alto escalão do governo Trump a renunciar devido à sua discordância com a guerra.

"Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã", afirmou o alto funcionário em sua carta de renúncia ao presidente Donald Trump, que ele compartilhou na rede X.

"O Irã não representava uma ameaça iminente contra nossa nação, e está claro que iniciamos esta guerra por causa da pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos", acrescentou Kent, de 45 anos, ex-integrante das forças especiais Boinas Verdes com participação em múltiplas missões de combate.

Em conversa com jornalistas, Trump acusou Kent de ser "muito fraco em matéria de segurança" e considerou "algo bom que ele tenha ido embora".

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rejeitou o que classificou como "afirmações falsas" na carta de renúncia de Kent e considerou "insultante e ridícula" a sugestão de que a decisão de ir à guerra foi tomada "em função da influência de outros".

'Como o presidente Trump declarou de forma clara e explícita, ele dispunha de provas sólidas e convincentes de que o Irã se preparava para atacar primeiro os Estados Unidos", disse Leavitt.

"O presidente Trump determinou, em última instância, que um ataque conjunto com Israel reduziria consideravelmente o risco para vidas americanas (...) e que enfrentaria essa ameaça iminente aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos", acrescentou a porta-voz.

A esposa de Kent, Shannon Kent, também serviu nas forças armadas dos Estados Unidos e morreu em um atentado suicida na Síria em 2019.

"Como viúvo (...) que perdeu sua amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano", escreveu Kent.

Como chefe do NCTC, Kent trabalhava sob as ordens da diretora de Inteligência Nacional, analisando e coordenando a resposta a ameaças terroristas e atuando como principal assessor do presidente em matéria de contraterrorismo.

"Até junho de 2025, o senhor entendia que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que roubou dos Estados Unidos as preciosas vidas de nossos patriotas", afirmou Kent em sua carta a Trump.

Então, Trump ordenou o bombardeio de instalações nucleares iranianas, uma operação com colaboração de Israel que provocou uma escalada militar com o Irã que durou doze dias.

Kent afirmou que "altos responsáveis israelenses e membros influentes da mídia americana conduziram uma campanha de desinformação" para fazer acreditar que "o Irã era uma ameaça iminente", mas "isso era uma mentira".

I.H.Scholz--BVZ